sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sergio Rodrigues: eternizado em sua criação

Nesta segunda-feira (01/09) o Brasil perdeu um dos grandes nomes do mobiliário assinado nacional. Sergio Rodrigues, arquiteto e designer, faleceu aos 86 anos, em sua casa, no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro, devido a um câncer na garganta, contra o qual lutava há alguns anos. Durante a semana diversos profissionais se pronunciaram a respeito do lamentável fato. 

Foto: Divulgação
Sergio Rodrigues em uma de suas mais famosas criações, a poltrona Mole,
ícone do design brasileiro e presente no acervo do MoMa (Museu de
Arte Moderna de Nova iorque)

"Foi Sergio Rodrigues quem inventou a identidade do design brasileiro. Com apuro técnico impressionante, formas confortáveis e detalhes preciosos, criou um design atemporal. Seus móveis proporcionam ao espaço uma elegância despojada, um jeito singular de traduzir o modo de viver brasileiro. Suas peças chegam a ser poéticas", refletiu a arquiteta Estela Netto. 

Foto: Daniel Mansur
A poltrona Diz, em projeto da arquiteta Estela Netto
A partir da década de 1950, quando migrou da arquitetura para o design de móveis, esse grande criador recebeu reconhecimento internacional por seus traços marcantes em madeiras nobres e tipicamente brasileiras. Nos últimos tempos, preocupado com a causa ambiental, começou a usar madeira de reflorestamento em suas obras.

"Sergio Rodrigues levou o nome do Brasil para várias partes do mundo. Sua morte é uma grande perda para o design nacional, pois ele sabia trabalhar a madeira - matéria-prima tão característica do nosso país - de forma única e espetacular. Seu mobiliário tem um dom incrível de combinar com todos os estilos de decoração", comentam as arquitetas Nathália Otoni e Luciana Araújo, do escritório Óbvio Arquitetura.  

As peças desse renomado designer figuram nas mais importantes mostras de decoração, exposições e projetos de interiores, com presença sempre marcante. 

"A simples colocação de um móvel assinado por Sergio Rodrigues num espaço, pode dar um 'up' em qualquer ambiente. Costumo falar que é um móvel/escultura. Um objeto de arte mesmo e, até por isso, com um alto valor agregado. As peças dele possuem design elegante, durável e tudo isso sem perder ergonomia. Um móvel completo, realmente. Perdemos um dos maiores designers brasileiros que já tivemos", lamentou a arquiteta Marina Dubal. 

Foto: Divulgação
Sergio Rodrigues e a linha Tajá, que foi reeditada em 2012
e recebeu novas peças criadas por ele em 2013
Sergio Rodrigues acumulou em seu portifólio mais de 1.200 criações de mobiliário, entre eles, peças desenvolvidas para a empresa Butzke, especializada em móveis de madeira certificada. "Convivemos com o Sergio na reedição da linha Tajá, de 1978. Era uma pessoa extremamente bem-humorada, cujas peças diziam muito sobre sua personalidade: lúdicas, confortáveis e nada sisudas. Assim como nós, ele era apaixonado pela madeira. Trata-se de uma perda não apenas para o design brasileiro, mas para o design mundial", declarou Michel Otte, diretor comercial da marca.     

Com talento, Sergio Rodrigues eternizou seu nome na história do mobiliário brasileiro e mundial, principalmente entre arquitetos, decoradores e designers. No entanto, para Haroldo Pinheiro, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), este grande artista deveria ter recebido muito mais em vida. "O Brasil e a arquitetura perderam mais um criador brilhante, cujo reconhecimento em nosso país foi menor do que o merecido pelo seu legado", afirmou.